BNCC na prática: como aplicar na sala de aula de forma criativa
Por que falar de BNCC na prática?
Quando comecei a planejar minhas aulas com base na BNCC, confesso: parecia um documento denso e difícil de transformar em prática real. Mas, com o tempo, percebi que a Base Nacional Comum Curricular não é uma “receita pronta” — ela é um norte pedagógico, uma bússola que orienta nossa prática docente.
A BNCC foi criada para garantir que todos os alunos tenham acesso a uma educação de qualidade, com igualdade de oportunidades e desenvolvimento integral. E aplicar tudo isso de forma criativa significa transformar cada competência em momentos vivos de aprendizagem.
Neste artigo, vou compartilhar com você estratégias reais, exemplos práticos e ideias criativas para aplicar a BNCC em sala de aula, valorizando o protagonismo dos alunos e a autonomia docente.
O que é BNCC e por que ela importa
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento normativo que define as aprendizagens essenciais que todos os estudantes brasileiros devem desenvolver ao longo da Educação Básica — da Educação Infantil ao Ensino Médio.
Ela está organizada em:
- Competências gerais, que orientam toda a formação dos alunos;
- Competências específicas por área do conhecimento;
- Habilidades, que mostram o que o aluno deve desenvolver em cada etapa.
“Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.” — Paulo Freire
A BNCC não é um currículo pronto, mas um guia para a construção dos currículos locais. Por isso, cabe a nós, professores, transformar essas orientações em experiências significativas para nossos alunos.
Competências gerais: o ponto de partida da prática pedagógica
Antes de pensar em planos de aula e atividades, gosto sempre de revisitar as 10 competências gerais da BNCC. Elas são o coração do processo. Veja algumas:
- Valorizar e utilizar conhecimentos para compreender a realidade.
- Exercitar a curiosidade intelectual e a criatividade.
- Utilizar diferentes linguagens — verbal, corporal, visual, artística, digital.
- Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade e empatia.
- Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de forma crítica.
Dica prática: Antes de montar uma sequência didática, pergunte-se:
“Quais dessas competências estarão sendo desenvolvidas com essa atividade?”
Essa simples pergunta já muda a forma como planejamos nossas aulas.
BNCC na prática: estratégias criativas para sala de aula
A seguir, compartilho formas de tornar a BNCC mais viva e prática no dia a dia escolar.
Trabalhar por projetos (Metodologia de Projetos)
Uma das formas mais eficazes de aplicar a BNCC é trabalhar com projetos interdisciplinares.
Por exemplo, se estou trabalhando o tema “Meio Ambiente” com turmas do 4º ano, posso articular:
- Ciências: poluição e reciclagem;
- Língua Portuguesa: produção de textos informativos;
- Matemática: gráficos de coleta de lixo da escola;
- Artes: criação de cartazes e maquetes sustentáveis.
Vygotsky defendia que o aprendizado é construído socialmente. Ao integrar áreas, criamos oportunidades de colaboração e desenvolvimento integral.
Como fazer:
- Escolha um tema significativo para os alunos.
- Construa objetivos alinhados às habilidades da BNCC.
- Desenvolva atividades criativas e mão na massa.
- Culmine com uma apresentação ou produto final (exposição, feira, vídeo etc.).
Estimular o protagonismo do aluno
A BNCC enfatiza o aluno como sujeito ativo da aprendizagem. Isso significa que ele não é um receptor passivo, mas um participante que pensa, cria e transforma.
Como coloco isso em prática:
- Faço perguntas disparadoras que despertam a curiosidade.
- Dou voz aos alunos durante as discussões.
- Permito que escolham como apresentar seus trabalhos (vídeo, teatro, cartaz, podcast…).
- Organizo rodas de conversa e momentos de escuta ativa.
“As crianças não aprendem apenas quando recebem informações, mas quando participam da construção delas.” — Jean Piaget
Incorporar tecnologias digitais de forma crítica
A BNCC destaca a importância de desenvolver competências digitais. Eu costumo usar tecnologia como ferramenta de expressão e criação:
- Produção de podcasts educativos;
- Criação de mapas mentais digitais;
- Uso de plataformas colaborativas (Padlet, Google Docs, Canva).
- Jogos educativos que reforçam habilidades.
Exemplo real: Em uma sequência sobre “narrativas”, os alunos criaram seus próprios contos ilustrados no Canva e apresentaram para a turma.
Dar espaço para a ludicidade e a arte
A BNCC, especialmente na Educação Infantil e nos anos iniciais, valoriza muito o brincar e as linguagens artísticas. Eu costumo:
- Integrar teatro, música e pintura nas atividades;
- Usar jogos e brincadeiras como forma de ensinar conteúdos;
- Trabalhar com histórias, dramatizações e personagens.
Exemplo prático: para trabalhar frações, usei pizzas de papel — cada pedaço representava uma fração, e os alunos “montavam” a pizza conforme os cálculos.
Avaliação contínua e formativa
Aplicar a BNCC também é repensar como avaliamos. Em vez de focar apenas em provas, uso observações, portfólios, autoavaliações e registros de progresso.
- Avalio processos, não só resultados.
- Dou feedbacks construtivos.
- Faço registros de desenvolvimento por competência.
“A avaliação precisa ser uma prática libertadora, não punitiva.” — Paulo Freire
Passo a passo para planejar aulas alinhadas à BNCC
Aqui vai um roteiro simples que uso e que pode te ajudar muito:
- Escolha a habilidade da BNCC que deseja trabalhar.
- Defina o objetivo de aprendizagem.
- Pense em uma situação-problema ou pergunta geradora.
- Planeje as atividades práticas (projetos, jogos, produções).
- Inclua recursos tecnológicos e artísticos quando possível.
- Avalie de forma formativa e criativa.
Exemplo:
- Habilidade: EF15LP01 — Reconhecer e compreender a função social da escrita.
- Objetivo: Compreender a importância dos bilhetes no cotidiano.
- Atividade: Produzir bilhetes reais para colegas e funcionários da escola.
- Avaliação: observar clareza da mensagem e envolvimento dos alunos.
Dicas extras para aplicar a BNCC com criatividade
- Personalize as atividades conforme a realidade da sua turma.
- Integre diferentes áreas do conhecimento.
- Escute os alunos — suas ideias podem enriquecer a aula.
- Mantenha o foco nas competências: o conteúdo é meio, não fim.
- Planeje com intencionalidade, mas esteja aberto à flexibilidade.
Conclusão Transformar a BNCC em experiências vivas
Aplicar a BNCC na prática não precisa ser complicado nem engessado. Quando colocamos o aluno no centro, exploramos metodologias criativas e trabalhamos com intencionalidade, a Base se transforma em um instrumento de liberdade pedagógica — não de limitação.
Eu acredito que ensinar é criar experiências significativas, e a BNCC nos ajuda a garantir que nenhum aluno fique para trás.
“Ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação.” — Paulo Freire

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